Meio&Mensagem

Ciência e tecnologia unidas contra inimigo comum

Empresas tradicionais como GE, J&J, Siemens e Philips têm unidades independentes e bilionárias, em transição para o modelo de healthtechs, que se tornaram cruciais com a pandemia

Thais Monteiro

A pandemia do novo coronavírus evidenciou a ciência como grande arma, mas também escancarou as lacunas no sistema de saúde brasileiro e nos países mais afetados. Enquanto as vacinas estão em desenvolvimento, os players do setor de saúde e bem-estar voltam seus esforços para o uso da tecnologia como forte aliada para consultas em período de isolamento, organização de banco de dados e atividades que podem ser feitas em casa para evitar o sedentarismo. No centro de tudo está a inovação que, anualmente, tem recebido bilhões de dólares de companhias globais e colocado a saúde no pódio como unidade rentável, com bom retorno de imagem e resultados positivos tanto para negócios voltados ao consumidor quanto para parceiros e fornecedores. Empresas como Johnson & Johnson, Siemens, Philips e GE criaram unidades independentes voltadas especificamente para a saúde e, com a Covid-19, avançam com técnicas médicas digitais, menos invasivas e mais eficazes.

Globalmente, a Johnson & Johnson Medical Devices, divisão da Johnson & Johnson voltada à produção de dispositivos médicos, é a segunda maior da companhia do grupo em faturamento total, o que a torna maior, inclusive, do que a unidade de produtos de consumo. Em 2019, a empresa investiu US$ 11,4 bilhões em pesquisa e desenvolvimento. O foco da divisão é oferecer soluções de cirurgia, ortopedia, visão e intervenção, conectando médicos, pacientes, hospitais, cirurgiões e demais profissionais da saúde. “Buscamos criar inovações que simplifiquem procedimentos, promovam eficiência, reduzam complicações e, consequentemente, tragam maior segurança para as cirurgias e mais qualidade de vida para o paciente”, explica Fabrício Campolina, diretor sênior de healthcare transformation da Johnson & Johnson Medical Devices. A companhia começou a investir em produtos médicos desde a sua fundação, em 1886. Os primeiros produtos desenvolvidos e produzidos pela J&J foram as suturas estéreis, gazes e curativos cirúrgicos. Agora, a J&J trabalha com procedimentos cirúrgicos menos invasivos. “Ainda hoje nos vemos como uma startup de 134 anos que busca resolver as grandes necessidades de saúde dos pacientes”, diz o executivo.

Cirurgias digitais ou 4.0, baseadas em plataformas como a da Johnson & Johnson, representam a evolução da ciência combinada com a tecnologia

Na concepção da empresa, a inovação está ligada à revolução tecnológica para aprimorar, e não substituir, o trabalho médico. Essa postura permitiu, por exemplo, avanços da cirurgia aberta para a disruptiva laparoscopia, que é um procedimento minimamente invasivo. Depois, evoluiu para a cirurgia robótica. E, agora, para a cirurgia digital e colaboração aberta. A cirurgia digital ou 4.0 “converte” o paciente em dados que serão processados para que sejam usados com o máximo de acuidade e o mínimo de interferência física no paciente. “Acreditamos que, para responder aos desafios presentes e futuros da área de saúde, não basta contar com a inovação que desenvolvemos dentro de casa. Precisamos da conexão com o mundo externo, trabalhando de forma colaborativa com parceiros de valor”, afirma Campolina.

Nesse sentido, o JLabs (Johnson & Johnson Innovation), laboratório de inovação da empresa, funciona como aceleradora de soluções que impactam a saúde e dá toda a estrutura de apoio a startups. A divisão realiza o Desafio 100 Open Startups, que tem o objetivo de buscar startups da saúde que desenvolvem soluções digitais para a conexão da jornada de cuidado do paciente, cuja meta é a melhoria no acesso à sua saúde e a busca por melhores desfechos clínicos.

Empresa independente
A importância do setor de healthcare para a marca Siemens resultou em fazer da antiga divisão uma empresa independente, em 2015, que ganhou o nome Siemens Healthineers. Essa empresa tem centros de pesquisa e desenvolvimento e, em parceria com instituições de saúde e universidades, investe, anualmente, € 1 bilhão em novos produtos e soluções, gerando cerca de 12,5 mil patentes por ano. Esse esforço já atinge 200 mil pacientes por hora que recebem tratamento ou diagnóstico por meio dos equipamentos e soluções da Siemens Healthineers. “Temos quatro promessas fundamentais de valor que orientam a todos, tanto interna quanto externamente: a expansão da medicina de precisão, a transformação da entrega dos cuidados com a saúde, o aprimoramento da experiência do paciente, tudo tendo como pano de fundo a digitalização”, explica Armando Lopes, diretor-geral da Siemens Healthineers no Brasil. Foi a partir de 1896 que a Siemens passou a se envolver com a saúde, quando produziu os primeiros equipamentos comerciais de raio-X com o físico alemão Wilhelm Conrad Röntgen. Atualmente, a empresa trabalha principalmente com diagnóstico por imagem, diagnósticos laboratoriais, terapias avançadas, medicina molecular e oferece serviços de manutenção e soluções digitais em TI para healthcare, além de soluções para instituições de saúde, hospitais, clínicas e laboratórios de diagnóstico. Muitas soluções são desenvolvidas conforme a demanda. Um exemplo é a pandemia do novo coronavírus. A Siemens teve que começar a trabalhar com maior foco no diagnóstico por imagem por meio da tomografia e em testes de detecção do vírus ou dos anticorpos do corpo reagentes. A empresa se tornou colaboradora do projeto RadVid19, com o Hospital das Clínicas, que reúne dados sobre casos de todo o País, enviados por radiologistas, usando imagens de radiografia e tomografia da região do tórax em busca de padrões. “O mercado de saúde já vinha passando por profundas mudanças como consolidação, industrialização e gestão da saúde. Com a pandemia, muitos processos se aceleraram como a telemedicina, por exemplo, e para outros será preciso uma reformulação. De qualquer forma, continuaremos apostando muito em inovação como a inteligência artificial (IA), novos modelos de negócios e a eficiência das operações e transição para um modelo cada vez mais próximo do cliente”, avalia Lopes.

A Philips está há quase uma década no processo de migração para focar os negócios apenas em healthcare. Entre 2011 e 2015, a empresa vendeu suas unidades de TV, áudio e iluminação e, atualmente, está separando sua divisão de eletroportáteis das demais. João Pedro Garcia, head de marketing Latam da Philips, diz que a marca está se transformando em healthtech, focada em promover mais acesso e qualidade a diagnósticos e tratamentos. “Em 2011, globalmente, a Philips resolveu avaliar seu posicionamento, levando em consideração os desafios que a população mundial enfrentava e o impacto positivo na vida das pessoas com essa transformação. Assim, escolhemos o setor de saúde, que inclui desde estabelecer um estilo de vida saudável e preventivo, até a necessidade de realizar diagnósticos e tratamentos, no sistema de saúde ou em casa. É o conceito que chamamos de health continuum, que entende a saúde como um ecossistema que precisa ser integrado através de equipamentos e softwares”, explica o executivo.

A empresa começou a trabalhar com saúde em 1919, quando lançou o primeiro equipamento de raio-X. A divisão de saúde se estrutura sob quatro pilares: experiência dos pacientes; experiência dos profissionais de saúde; produtividade e menor custo para as instituições de saúde; e qualidade dos resultados. Para os consumidores, a Philips testa o aluguel de produtos de casa; para profissionais de saúde, faz vendas consultivas de soluções que combinam software e equipamentos. A Philips investe 12% da receita anual em pesquisa e desenvolvimento. Em 2019, esse valor somou € 1,8 bilhão. Das vendas da companhia no segundo trimestre deste ano, 75% foram de diagnóstico e tratamento, e 25%, de saúde pessoal. Segundos dados da Philips, suas iniciativas na área chegaram a 1,6 bilhão de pessoas. A meta é chegar a três bilhões até 2030.

Esforço reconhecido

A Pfizer é uma das dezenas de farmacêuticas que estão na segunda fase de testes da vacina para a Covid-19, cujos resultados saem em outubro

Diversos laboratórios estão envolvidos no desenvolvimento da vacina que, espera-se, prevenirá a contaminação pela Covid-19. Uma das empresas envolvidas nessas pesquisas é a Pfizer. No Brasil, os estudos estão sendo conduzidos no Centro Paulista de Investigação Clínica (Cepic), em São Paulo, e na Instituição Obras Sociais Irmã Dulce, na Bahia. No momento, o estudo clínico está na segunda fase de testes, acompanhando 30 mil pessoas globalmente. A expectativa da companhia é apresentar os resultados dessa etapa ao final de outubro para as autoridades regulatórias. De acordo com a Pfizer, se eles forem positivos, a vacina poderá ser aprovada ainda este ano. O desenvolvimento e, eventualmente, a patente das vacinas que vão sanar o problema da pandemia global, geram, paralelamente, ganho positivo para a imagem da farmacêutica. Cristiane Santos, diretora de comunicação e assuntos corporativos da Pfizer, diz que esse impacto positivo é resultado dos esforços da empresa. No início da pandemia, a Pfizer decidiu priorizar a segurança de seus colaboradores e familiares, manter o fornecimento de seus medicamentos e vacinas e buscar uma resposta terapêutica que ajudasse a combater o vírus. “Desde o início, temos ressaltado a importância da ciência para vencer esse cenário desafiador. Inovação e pesquisa são o cerne de tudo que fazemos e a atual situação que enfrentamos reforça o impacto positivo que empresas como a Pfizer podem trazer para a  sociedade”, explica.

A ciência como solução para esse desafio integra a estratégia da Pfizer: disseminar e democratizar o acesso a informações de qualidade para combater as notícias falsas sobre a doença. Para isso, a executiva diz que a empresa tem trabalhado para atender as dúvidas dos veículos de comunicação, governo, profissionais de saúde, público colaboradores, e compartilhando informações sobre os estudos clínicos que estão sendo realizados no Brasil, nos Estados Unidos, na Argentina e na Alemanha, por meio de comunicados globais e locais e com lideranças dos centros de pesquisas à disposição para comentar os estudos no País. “Temas que, até há pouco tempo, eram considerados difíceis de abordar com a população, em geral, como estudos clínicos, agora fazem parte da pauta dos jornais diários. É uma excelente oportunidade para desmistificar o processo de desenvolvimento de medicamentos e vacinas, bem como reforçar a importância da inovação, da ciência e da indústria farmacêutica para a saúde da população”, afirma a executiva.

Poder da IA
A Philips tem investido intensamente no uso de IA na saúde. Sua meta é combinar o poder da IA com o conhecimento do domínio humano para criar soluções que se adaptam às necessidades e ambientes das pessoas. O princípio consiste em ajudar os consumidores a viver estilos de vida saudáveis e auxiliar os profissionais de saúde a melhorar a experiência do paciente, qualidade do serviço e, obviamente, na redução de custos. E quem está por detrás disso é a Philips Research, organização global voltada a apresentar inovações, que trabalha com opções de tecnologia para a área de saúde e bem-estar. Outra estratégia da empresa é adquirir empresas de software que desenvolvem aplicativos para o público, em geral, ou para pais acompanharem o desenvolvimento de seus filhos e softwares de gestão hospitalar e de imagens. A empresa espera, ainda, integrar dados dos pacientes e torná-los acessíveis. Isso facilitaria o compartilhamento de informações. Em momentos de crise como o da atual pandemia, compartilhar dados tem se mostrado um desafio.

“Inovação é fundamental. Sem inovação, é impossível transformar o setor de saúde, gerar um estilo de vida mais saudável ou oferecer soluções para profissionais ou pacientes. É essencial preparar as instituições de saúde para que possam atender os pacientes com o mesmo recurso e qualidade, com serviços e resultados mais rápidos, menor custo e maior precisão”, afirma o head de marketing da Philips. “No entanto, é necessário que diferentes tecnologias estejam integradas e as informações conectadas, de forma que seja possível extrair o máximo de proveito do que podem oferecer tanto aos pacientes quanto às instituições, sistemas de saúde e governos”, assinala. Assim como a Siemens Healthineers, a General Electric destina US$ 1 bilhão em pesquisa e inovação para a GE

Equipamentos avançados, como o da GE Healthcare, reduzem procedimentos médicos invasivos

Healthcare, o que a torna a divisão da empresa com o maior investimento na área de P&D. A GE Healthcare foi responsável pela geração de US$ 20 bilhões dos US$ 95,2 bilhões de faturamento global da companhia em 2019. A participação do segmento de saúde do Brasil é de cerca de 20% da receita anual. “A divisão de healthcare tem se mantido consistentemente representativa para a GE ao longo das últimas décadas. Sabemos que estamos produzindo tecnologias e soluções que melhorarão a vida das pessoas, nos momentos que importam”, afirma Marcelo Bouhid, CMO da GE Healthcare para a América Latina. Fundada em 1892, a GE começou o trabalhar com saúde em 1896 com o desenvolvimento de equipamentos elétricos que permitiram a produção de raios-X e o uso de imagens estereoscópicas para diagnosticar fraturas ósseas. A colaboração é considerada pela empresa ingrediente fundamental para a inovação da saúde. “Para ajudar a compreender necessidades clínicas não atendidas e no desenvolvimento da tecnologia adequada para atender a essas necessidades, resultando no melhor atendimento ao paciente”, aponta o CMO. O trabalho colaborativo, para a GE, fornece valor aos pacientes e à sociedade. A empresa também colabora com pesquisas por meio de produtos e empréstimos de equipamentos ou apoio científico a projetos individuais ou multicentros, com instituições públicas ou privadas, para pesquisa pré-clínicas ou clínica.

Ecossistema brasileiro
Segundo Fabrício Campolina, diretor sênior de healthcare transformation da Johnson & Johnson Medical Devices, o Brasil tem um rico ecossistema de inovação e de healthtehcs que ajudam a cocriar saídas para promover mais acesso à saúde de qualidade e aprimorar o cuidado com o paciente. A J&J MD lançou, na América Latina, o aplicativo Data Tracker, que permite a captura digital dos principais indicadores operacionais do centro cirúrgico, possibilitando uma gestão mais efetiva dos recursos físicos do hospital. Já a GE Healthcare tem um time local que desenvolve soluções em inteligência artificial, big data e analytics para oferecer mais conforto, segurança para os pacientes e maior qualidade de diagnóstico; e outro focado em suporte para execução de projetos de pesquisa clínica.

Os investimentos da Siemens Healthineers, em parcerias com o InovaHC, Sírio-Libanês, Hospital Israelita Albert Einstein e universidades brasileiras, como a Unicamp, colocaram o Brasil na rede global de inovações. “O Brasil ocupa um lugar de destaque em nossa organização, onde temos centenas de engenheiros e especialistas disponíveis 24 horas por dia, sete dias por semana, com sistemas de monitoramento remoto e acompanhamento em tempo integral das demandas dos nossos clientes. O País, inclusive, é um polo importante para o desenvolvimento de soluções e contamos com uma fábrica e montadora de equipamentos de imagem em Joinville (SC)”, diz Armando Lopes, diretor-geral da Siemens Healthineers no Brasil.

A percepção da Philips sobre o País é similar. João Pedro Garcia, head de marketing Latam da empresa, afirma que o Brasil é onde a Philips tem as maiores oportunidades para uma transformação e capacidade de mudanças na saúde. “A adoção de tecnologia é relativamente rápida”, diz. Para Garcia, a pandemia deixou evidente os desafios do segmento, como a digitalização dos procedimentos e informações de hospitais, e o público mais consciente sobre adotar um estilo de vida mais saudável e preventivo. “Neste contexto, entendemos que surgirá uma necessidade de novas tecnologias, o que irá acelerar a entrada das soluções que estavam em baixa”, afirma o head.

Do esporte à saúde
Wearables, que foram lançados há quase uma década com apelo esportivo, evoluem para cuidados pessoais e de bem-estar e registram alta de demanda na pandemia

A tecnologia é uma constante na indústria da saúde. Uma das categorias de produtos que mais cresce, nesse sentido, são os wearables, voltados aos consumidores finais. Antes restritos ao monitoramento de índices do corpo para pessoas com doenças crônicas, os chamados “dispositivos vestíveis”, que abrangem engenhocas embarcadas em roupas e calçados, evoluíram para aplicativos e acessórios que auxiliam no acompanhamento do peso, consumo de água, comida, tempo de sono, atenção plena, exposição a fones de ouvido ou a redes sociais, número de passos, lances de escada, quilômetros andados e mais uma série de funcionalidades.

O acompanhamento de desempenhos esportivos foi o que garantiu o impulso da categoria, que começou a ganhar popularidade em 2016, afirma Stefano Arpassy, consultor da WGSN Mindset. Mesmo agora, essas são as usabilidades mais frequentes entre os consumidores. Mas a procura já começou a ser mais observada também entre idosos para medição de pressão, oxigênio e até para chamadas de emergência no caso de acidentes e, eventualmente, não haver auxílio no momento.

“Para health e fitness, existe um mercado muito forte. As pessoas estão cada vez mais preocupadas com a saúde, envelhecendo mais, têm mais acesso à informação. A internet te dá recursos variados e as pessoas estão aprendendo a usar essas informações para finalidades variáveis. A própria academia tem se preocupado em trazer recursos para saúde”, diz Renato Meireles, analista de mercado em mobile phones & Devices da IDC Brasil. Apesar da expansão expressiva — de 220% em 2019 em relação a 2018, segundo a IDC —, o mercado de wearables também enfrenta desafios. O fato de a tecnologia ser importada e os preços finais serem, muitas vezes, inacessíveis são alguns dos impeditivos para que os aparelhos e produtos não se popularizarem de maneira mais horizontal. Outro obstáculo se dá na compreensão do consumidor acerca da necessidade de adquirir um wearable, já que o smartphone tem algumas funções equivalentes. Por fim, falta o entendimento da própria indústria sobre a usabilidade dos dispositivos. Normalmente, os produtos são lançados com mais de uma função, sem especificidade, exemplifica Meireles.

Segundo projeções da IDC, o segmento de wearables pode crescer cerca de 70% este ano, alavancado pela pandemia, que fez aumentar a demanda

Essa definição mais segmentada pode representar um modelo bem-sucedido, indica Arpassy, da WGSN: “Um exemplo que destacamos ainda em 2016 e que ganhou força nos últimos anos é a marca americana Livia, que oferece um dispositivo que ajuda no combate às cólicas menstruais. Outro uso interessante é o cinto da marca Welt. Direcionado ao público idoso que sofre com desequilíbrios e pode se machucar feio com uma queda, o produto funciona como um cinto normal, mas suas funcionalidades são capazes de medir a caminhada do usuário, entendendo padrões e analisando equilíbrio, velocidade e ritmo”, indica. Para o executivo, conforme se avança para um mundo que leva mais em conta a análise de dados para oferecer soluções personalizadas, trazer a tecnologia ao universo da saúde é algo que dá mais solidez nas análises e permite que cuidados e prevenções sejam realizados com mais sucesso.

A IDC Brasil projeta que, este ano, o segmento de wearables pode crescer 69,7%, levando em conta a crise inflada pela pandemia. Já nestes meses, o próprio momento de isolamento contribuiu para maior procura desses serviços tendo como objetivo melhorar os cuidados pessoais, evitar sedentarismo e praticar algum exercício durante a quarentena. Um exemplo de monitoramento que tem se destacado é a medição de oxigênio no sangue por conta da Covid-19, diz Meireles.

“ Com o 5G, o wearable ganhará espaço e começará a ter uma oferta de produtos cada vez mais conectados entre si. Terá uma função conectada com a TV ou com outro device, por exemplo, que virá no futuro, conectado à área da saúde” – Renato Meireles

O Galaxy Watch 3, anunciado este mês pela Samsung, por exemplo, inclui a função de saturação de oxigênio (SpO2), que acompanha os níveis de oxigênio ao longo do dia e tem funcionalidades para monitoramento da pressão arterial e leituras de eletrocardiograma (ECG). A empresa se dedica a oferecer soluções focadas no monitoramento de índices de saúde (exercícios físicos, diversificação e acompanhamento de treinos) e na manutenção da saúde mental (indicadores da qualidade do sono, meditação e programas de respiração e músicas relaxantes para controle de estresse). “Ao desenvolvermos um dispositivo ou recurso, o principal desafio e primeiro ponto levado em consideração é: como a solução poderá auxiliar os usuários no dia a dia? A partir da resposta, buscamos oferecer ferramentas que se conectem diretamente ao estilo de vida das pessoas, com soluções efetivas para atividades do cotidiano. Para isso, investimos em pesquisas de mercado, análises internas e contamos com centros de pesquisa & desenvolvimento. Sempre considerando, também, a percepção dos usuários”, detalha Renato Citrini, gerente sênior de produto da divisão de dispositivos móveis da Samsung. Cintrini destaca que os produtos e recursos focados em saúde e bem-estar são peças fundamentais na composição do portfólio da empresa, principalmente no Brasil, onde a demanda é alta. Em julho, a Samsung começou a fabricar smartwatches em sua fábrica de Manaus.

A pandemia também causou impactos na estratégia da Nike para a categoria. A empresa começou a explorar o setor de wearables ainda em 2012, com o lançamento de pulseiras fitness. Depois, trabalhou na evolução da linha, com o aplicativo Nike Training Club (NTC), que tem treinos para todos os tipos de público. Entre março e julho deste ano, a Nike registrou crescimento médio de 770% no número de treinos realizados no app, em comparação a 2019. Neste momento, a Nike se dedica à produção e comercialização da linha de produtos desenvolvida especialmente para yoga, pois, segundo Gustavo Viana, diretor de marketing da Nike do Brasil, o público brasileiro está cada vez mais interessado em se conectar com seu mundo interior, procurando se desacelerar, como indica o aumento de plataformas dedicadas ao bem-estar, aponta. “Do ponto de vista geral, neste momento que enfrentamos, com o isolamento social há seis meses, podemos afirmar que esse cenário é o ponto mais desafiador para manter as pessoas ativas. A missão é fazer do esporte um hábito diário para todos e, aos poucos, as pessoas estão descobrindo que é possível fazer isso dentro de casa. Ficamos orgulhosos de poder oferecer o aplicativo Nike Training Club, como uma oportunidade acessível para todos”, diz o executivo.

A futura rede de quinta geração móvel (5G), quando em operação, também deverá ser um elemento impulsionador, principalmente por conta da conectividade da internet das coisas (IoT), categoria na qual os dispositivos vestíveis se inserem. “Os wearables são uma categoria muito promissora para 2021. Já temos a possibilidade da chegada do 5G no mercado brasileiro, o que é um ganho para IoT. O wearable vai ganhar espaço e começar a ter uma oferta de produtos cada vez mais conectados entre si. Terá uma função conectada com a TV ou com outro device, por exemplo, que virá no futuro, conectado à área da saúde”, antevê Meireles, do IDC.

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